top of page
Buscar

O Sentido do Sintoma

Atualizado: 22 de nov. de 2019

Antes de se tornar um signo clínico, o sintoma é um signo para o sujeito, “uma das imagens através das quais a experiência se apresenta” (NASIO, 1993, p. 11) e que se estrutura em torno de idiomas ou de formas próprias a cada cultura, tornando-se o vocabulário de base de uma linguagem de sua patologia.



Mais ainda, estas formas culturais já determinam as manifestações e os modos de expressão que são aceitáveis, e mesmo privilegiados, num determinado contexto em determinada época.

De modo geral, o sofrimento psíquico se manifesta e se expressa, primeiramente, no registro do corpo através de um sintoma. Em outras palavras, o corpo oferece um espaço, uma trama e uma possibilidade de expressão do sofrimento psíquico através do sintoma e é este acontecimento que confere ao sofrimento o lugar do patológico. Assim, o sintoma se faz palavra portadora de uma verdade; o sintoma como função simbólica, como metáfora, como imagem, como representante da verdade e como mediador entre a subjetividade e o real. O sintoma é a maneira como o sujeito enuncia e expressa seu sofrimento, uma vez que o sintoma é, como aponta Nasio (1993, p. 13), “acima de tudo um mal-estar que se impõe a nós, além de nós, e nos interpela. Um mal-estar que descrevemos com palavras singulares e metáforas inesperadas.”


Entretanto, para o próprio sujeito, o sintoma lhe é indecifrável uma vez que ele desconhece a verdade que o habita e, por isso, o sujeito demanda uma resposta que lhe confira sentido e significado: Qual a causa (razão, motivo) de seu sofrimento? Na tentativa de nomear o mal, a fim de se compreender o que se passa como inscrição no corpo, se convida o sofrimento a se tornar uma doença ‘etiquetável’.

Freud, ao interpretar o sintoma neurótico como algo que vai mal, inaugura um novo olhar sobre o corpo, o psiquismo, o sujeito e a própria clínica, diferente da tradição médica. Nos primórdios da clínica freudiana, um diferencial fundamental em relação ao discurso médico é estabelecido ao se considerar que os sintomas têm um sentido singular e se relacionam com as experiências do paciente.

"No nascimento da clínica freudiana, um passo crucial é dado ao se arrancar o sintoma de sua condição de produto mórbido e fazer dele conflito psíquico. Passo gigantesco que restitui à neurótica sua condição de ser falante e desejante, isto é, sua condição humana, quando, até então, não era mais do que um animal de opereta, possuída pelo demônio ou pelo amo hipnotizador. Esta dignidade do patológico [...], ainda que tome na histeria sua figura paradigmática, a excede e a universaliza como posição ética da psicanálise" (VIÑAR, 1991, p. 01).


Referências Bibliográficas:

- NASIO, J.-D. 5 lições sobre a Teoria de Jacques Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.

- VIÑAR, M. De la Clinica Freudiana. Texto mimeo. PUCSP, out. 1998. Originalmente publicado na Revista Uruguaya de Psiconálisis, n. 74, 1991.

23 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page